Desmame e choro andam juntos?

Se pudermos compreender que o choro é a principal maneira da criança comunicar seu desejo, não seria surpresa que no processo de desmame o chorar possa estar presente.

Na infância, quando a criança ainda não dispõe de grandes habilidades na comunicação falada, ela constantemente apela ao choro como forma de se expressar, e não há nada de errado nisso.

Como mãe, aprendemos desde o início, a distinguir os tipos de choro de nosso bebê. Há o choro de dor, fome, sono, cólica, frio, desconforto, protesto. É importante que a mãe se permita “ler” qual tipo de choro o filho está utilizando durante o desmame.

Muitas mães se assustam ao ver o filho chorar. Isso é normal e esperado. Seria preocupante se a mãe não ficasse tocada com o choro de seu filhote. Porém, como mãe, é importante que esta possa nomear ao seu filho qual tipo de sentimento ele está querendo expressar, o incentivando assim a usar as palavras ao invés do choro.

Por exemplo: – Filho, você está chorando porque está com triste pois seu papai saiu. A criança, ao ouvir um adulto traduzir aquilo que estava apenas no campo do sentir, aprende que seu sentimento tem nome e que pode se comunicar com o adulto de forma mais eficaz pela palavra.

Se uma mãe em processo de desmame diz: filho, eu entendo que você está triste por não ter o seio, mas eu ficarei aqui ao seu lado, te dando muito afeto e carinho, para que você se sinta melhor, ela está ensinando o filho que não é indiferente ao seu choro, que o entendeu e que fará o possível para que ele se sinta melhor. A criança aprende que a mãe está disponível, que o ama e que juntos precisarão encontrar outras formas de satisfazer suas necessidades.

É claro que um bebê frente a um processo de desmame não dirá: -Obrigada mamãe por não me dar o seio. Ele irá protestar com choro, visto que é a principal maneira de se expressar, porém, muitas vezes as mães se sentem culpadas, como se nunca pudessem desapontar seus bebês.

Eu sei que maternidade e culpa por vezes andam juntas. Mas é preciso entender a origem desta culpa e o porquê da dificuldade em estabelecer limites.

Não há uma receita de bolo em relação ao desmame. Por isso o olhar da Psicologia é tão importante,  pois considera a individualidade de cada dupla, assim com sua história pré e pós natal. Não é raro que eventos traumáticos ocorridos na gestação ou pós parto possam influenciar negativamente o processo de desmame.

Desatar estes nós, revisitando a história da dupla e inclusive a história da mãe, são fatores importantes para que o processo de desmame se dê de forma tranquila e recheada de sentido.

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